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Há palavras que refletem sentimentos,
Palavras que expressam diferentes pensamentos,
Que nos transformam, tocam no fundo da alma…
Mágicas: ternas, singelas, mas poderosas,
Com sabor de ambrosia ou com aroma de rosas,
Palavras, enfim, que nos restauram a calma.

De todas, porém, ganham minha preferência
Certas palavras que misturam inocência
A pitadas de paixão, de desejo, de calor…
As mais doces, aquelas que mais anseio,
As que mais avidamente saboreio:
Aquelas que saem dos seus lábios, meu amor!…

Oriza Martins

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Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

(Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘Dual’)

Liberdade

Liberdade
— Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade onipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

(Miguel Torga, in ‘Diário XII’)

Não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz as pessoas à felicidade.
(Friedrich Nietzsche)

Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.
(Sigmund Freud)

Uma casa cômoda, fresca no verão, aquecida no inverno;
a saúde, o bom tempo, a chuva generosa – lá fora;
as flores na janela, as frutas da estação, a mesa farta, com sabores simples e sinceros;
a mente em paz, o sono tranquilo ao lado de quem se ama;
o olhar límpido das crianças;
alguns amigos, com alma semelhante à nossa;
o sossego, na companhia de muitos livros e de muita música.
Não esperar nada dos poderosos; querer ser o que se é, e não preferir nada mais; não temer o fim, nem desejar que ele chegue;
aprender, em suma, a saborear o puro prazer de existir – isso é viver.
(By Claudio Moreno)

Alvorada Eterna

Quando formos os dois já bem velhinhos,
já bem cansados, trôpegos, vencidos,
um ao outro apoiados, nos caminhos,
depois de tantos sonhos percorridos…
Quando formos os dois já bem velhinhos
a lembrar tempos idos e vividos,
sem mais nada colher, nem mesmo espinhos
nos gestos desfolhados e pendidos…
Quando formos só os dois, já bem velhinhos,
lá onde findam todos os caminhos
e onde a saudade, o chão, de folhas junca…
Olha amor, os meus olhos, bem no fundo,
e hás de ver que este amor em que me inundo
é uma alvorada que não morre nunca!
(JG de Araujo Jorge)

“Há certas horas, em que não precisamos de um amor, não precisamos da paixão desmedida, não queremos beijo na boca e nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama. Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado, sem nada dizer…” (William Shakespeare)